Se for possível conceber um roteiro de viagem capaz de encantar a todos, este roteiro, sem dúvida, será "Myanmar: a antiga Birmânia". Exaltada pela abundância de riquezas minerais e naturais, desde os tempos em que os primeiros colonos se estabeleceram, chamando-a de "Terra Dourada" e permanece com sua beleza quase inalterada.
História
Crê-se que o primeiro grupo étnico a migrar para o vale do baixo Iruádi foi o dos mons que, dominantes no sul da região na altura de 900 a.c., estiveram entre os primeiros no Sudeste da Ásia a adotar o budismo teravada. No século I a.c., seguiram-se os pyus, de língua tibetano-birmanesa, que fundaram diversas cidades-Estado no Irauádi central. O reino pyu foi dizimado no século IX pelo reino de Nan chao (na atual Yunnan).
Os birmanes ou bramás (atualmente a etnia principal da Birmânia) começaram a migrar do reino de Nan chao (Yunnan) para o vale do Irauádi a partir do século VII e, em 849, fundaram um pequeno reino com centro em Pagan. No reinado de Anawrahta (944-1077), a influência de Pagan expandiu-se para o território aproximado ao da atual Birmânia. Após conquistar a capital mon em 1057, os birmanes adotaram o budismo teravada e desenvolveram a escrita birmanesa, baseada na escrita mon. Os reis de Pagan construíram muitos templos no país, aproveitando-se da prosperidade trazida pelo comércio.
Política
Myanmar é governado por um regime militar estrito, com o nome "Conselho de Estado para a Paz e o Desenvolvimento". O atual chefe de Estado é o presidente do Conselho, General Than Shwe. A maioria dos postos do gabinete é ocupada por oficiais militares. Os principais partidos do país são a Liga Nacional pela Democracia e a Liga das Nacionalidades Shans pela Democracia, embora suas atividades sejam fortemente reguladas e mesmo suprimidas pelo regime militar que, ademais, proibiu o funcionamento de diversos partidos e organizações políticas.
Várias organizações de direitos humanos, inclusive a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, relatam casos de abusos do governo militar contra os direitos humanos e afirmam que não há podes judiciário independente no país. Há relatos de trabalhos forçados, tráfico de pessoas e trabalho infantil, e o governo é conhecido por usar a violência sexual como instrumento de controle.
A repressão política e os abusos contra os direitos humanos levaram o Conselho de Segurança das Nações Unidas a incluir Mianmar na sua agenda de trabalho. A ASEAN, bem como os governos de diversos países, têm insistido para que o regime militar conduza o país à democracia.
Geografia
Com uma área total de 678 000 km², a Birmânia é o maior país do sudeste da Ásia continental e o 39° maior do mundo. Seu território é um pouco maior do que a soma das áreas dos estamod brasileiros de Minas Gerais e Santa Catarina, ou de Alemanha e Itália juntas (para fins de comparação, a superfície de Moçambique é de 801 590 km²).
Grande parte do território birmanês encontra-se entre o Trópico de Câncer e o Equador. O país localiza-se na região asiática das monções, o que faz com que suas regiões litorâneas recebam mais de 5 000 mm anuais de chuva. A precipitação na região do delta do Irauádi é de cerca de 2 500 mm, maior que a da zona seca da Birmânia central, com menos de 1 000 mm. As regiões setentrionais do país são as mais frias, com temperaturas médias de 21°C. As regiões litorânea e do delta apresentam temperaturas médias de 32°C.
O lento crescimento econômico birmanês contribuiu para a preservação de seu meio ambiente e ecossistemas. Mais de 49% do território do país são cobertos por florestas que incluemteca, seringueira, acácia, bambu, mangues, coqueiro e palmeira betel. No planalto ao norte, encontram-se carvalho, pinheiro e outras espécies de rododendros. As terras ao longo do litoral podem sustentar todas as variedades de frutas tropicais. Na zona seca, a vegetação é esparsa. |